ENDEPT
cecília floresta

what color would our walls be if they could resist at all

an essay on kuirlombism¹ by cecília floresta (among other voices)

Illustration by Guilhermina Augusti

to fill the mouth with all the words
wherever they come from
and to let them drop everywhere
whomever it 
hurts

may ayim, artistic freedom
(Are you Afro-German? / Sind Sie afro-deutsch?
In: blues in schwarz weiss. Orlanda Verlag: 1995.)

they have attempted to tell us that it is our task to reinvent the world - but no, it isn’t. we have no task at all, we may have no destiny other than our desires, we may not be people in the way others say, therefore, maybe it is up to us to imagine, to take the silence, which now and then falls upon us, and rework it in something like language and action, those lessons from lorde. by this i mean that our voices don’t have a choice within the rationality of this world because they don't fit into it, rather, they amplify themselves in ancestral and kuirlombing¹ fashions, they amplify themselves, no longer fitting; they never did, just like the bodies containing our throats don't and — barely able to walk through the existing streets of this world without provoking some noise in the state of things - so far.

one route could be to choose to revive in our mouths stories which have never been told to us; rather than the stories which have been relayed through the crooked and malicious looks of others; to perhaps revive them through narratives stewed in our own kitchens, through the gesture of naming unnamed things, or writing poems that do not exist and possibly contain our so singular and complex emotions (lorde once again) — just like tatiana nascimento’s traced routes in her essay “Literary Kuirlombism” - charting a possible course to the end of the world which has pulled me by the hand till here.

"meaning: the way we discern and kuirize this world so as not to swallow any name by which others want to name us."

“to quilomb [ourselves] within the words learnt from the others zami”² indicates tatiana’s wind movement in its task of translation - to think of translation is not only to think of the cold transposition of one linguistic system onto the other, but rather of sustenance, of the word’s axé³, by reading with eyes released from any cisheteronorm, meaning: the way we discern and kuirize this world so as not to swallow any name which others want to name us.

Illustration by Guilhermina Augusti

and so kuirlombism leads our poetry onto routes which enable us to bid farewell to the "stereotype of constant resistance, freezing us in the frame of denouncement [...] [being] fundamental to the sustainment of racism"; like grease lubricating each control mechanism — whose function is to imprison us in subalternizations created by the machine itself, and not by us.

still they try to convince us it is our task to reinvent the world - it isn’t. we may, however, affectionately occupy ourselves by creating paradises, imagining scenarios, setting the cenography of joys from desires we share, because

to me,
a cuíer paradise could be a very simple place:
laying my head betwixt your tits, or wel
cum you between of my thighs

tatiana nascimento, cuíer paradiso [v. 2018]
(In: 07 notas sobre o apocalipse ou poemas para o fim do mundo, translation by Natalia Affonso)

i believe the kuir paradise is not far away but already inside us, in the middle of our orí⁴. and maybe we neither live in this paradise, nor wish it as a result of some exact end, but maybe we are the kuir paradise, as survivors of this world - which inside of us is already over, scoured in ruins. perhaps our legs might be the first ones to walk on the surface of worlds other than this. after all, how many worlds must we invent every day in order to survive?


July 30, 2020, cold são paulo with a little bit of sunshine

Illustration by Guilhermina Augusti. Augusti é futura filósofa, artista plástica e estudante de audiovisual. Sua arte/pesquisa discorre sobre disputar poder, através da genealogia, empregabilidade, moral, e formas de sistema desse mundo que produzem conflitos que são direcionadas a certos corpos, assim como as estruturas que mantem esses atritos.

1. T.N: “Cuírlombismo” (Brazilian PT) is a compounded neologism from Tatiana Nascimento’s essay “Cuírlombismo Literário” (n-1 edições, 2016). Based on the words “cuír” (a south-american, political rewritting of the foreign word “queer”) and “Quilomb/Quilombism” (see for example Abdias Nascimento). “cuírlombismo” is here therefore as kuirlombism translated. Derived verb: to kuirlomb. Instead of “c”, we translate it with “k” to come closer to English phonetics.

2. Extracted from Nascimento’s essay (p. 13). Original text’s footnote to the word zamis: “cariacou name for women who work together as friends and lovers, grenadian + french transmuting the French expression les amies”.

3. T.N: Axé, alternatively in English graphy Ase or Ashe, originally from Yoruba àṣẹ “is a West African philosophical concept through which the Yoruba of Nigeria conceive the power to make things happen and produce change [...] existence, according to Yoruba thought, is dependent upon it.” (Wikipedia)

4. [T.N] A Yoruba concept. According to Wikipedia: “Ori, literally meaning "head," refers to one's spiritual intuition and destiny.”

cecília floresta

de que cor seriam nossas paredes se é que resistiriam

por cecília floresta, entre outras vozes

ilustração por Guilhermina Augusti

encher a boca com todas as palavras
tanto faz de onde elas vêm
e deixá-las cair por toda parte
doa a quem
doer
may ayim, liberdade artística
(Você éafro-alemã?/Sind Sie afro-deutsch?,
edição e tradução por jess oliveira)

tentaram dizer pra gente que é nossa tarefa reinventar o mundo – não é. não temos tarefa alguma, podemos ter nenhum destino que não nossos desejos, talvez não sejamos nem gente da maneira como dizem os outros, talvez nos caiba mesmo imaginar então, pegar o silêncio que dia sim dia não recai sobre nós e reelaborar em algo como linguagem e ação, aquele ensinamento da lorde. digo, nossas vozes não têm vez dentro da racionalidade deste mundo porque não cabem nele, ampliam-se ancestrais e cuírlombadas, ampliam-se e não cabem mais, nunca couberam, assim como os corpos que contêm nossas gargantas não cabem e pouco podem andar pelas ruas contidas neste mundo sem causar algum ruído na ordem das coisas – ainda.

assim um rumo possível seria o reavivamento em nossas bocas de histórias que nunca nos contaram, que nos contaram sob o olhar torto e malicioso do outro ou por meio de narrativas guisadas em nossa própria cozinha, através do gesto de dar nome pras coisas que não têm nome ou escrever poemas que não existem e possam conter nossas emoções tão próprias e complexas(lorde mais uma vez), como tatiana nascimento faz traçando rumos em seu cuírlombismo literário, um caminho possível pro fim deste mundo que me puxou pela mão até aqui.

"digo: a maneira como nós enxergamos e cuírizamos este mundo de forma a não engolir qualquer nome com o qual os outros queiram nos nomear."

nos “aquilombar na palavra aprendida com outras zami” é o movimento do vento de tatiana em sua tarefa de tradução, e quando pensamos tradução não se trata apenas daquela transposição fria de um suporte linguístico pra outro mas também alimento, o axé da palavra, leituras com olhos desanuviados de qualquer cisheteronorma, digo: a maneira como nós enxergamos e cuírizamos este mundo de forma a não engolir qualquer nome com o qual os outros queiram nos nomear.

ilustração por Guilhermina Augusti

e não à toa esse cuírlombismo conduz nossa poesia como rotas que se despedem daquele “estereótipo de resistência constante que nos congela no frame da denúncia [...] fundamental à sustentação do racismo” como graxa que lubrifica cada um dos mecanismos de controle cuja função é nos aprisionar em subalternizações criadas pela própria máquina, não por nós.

mas ainda tentam dizer pra gente que é nossa tarefa reinventar o mundo – não é. embora talvez possamos nos ocupar afetivamente em criar paraísos, imaginar cenários, cenografar alegrias naqueles desejos que compartilhamos, pois

pra mim,
o paraíso cuíer podia ser um lugar muito simples:
encostar a cabeça no meio da suas teta, ou
te receber no meio das minhas coxa
tatiana nascimento, cuíer paradiso [v.2018]
(07 notas sobre o apocalipse ou poemas para o fim do mundo)

o paraíso cuíer que, penso, não fica longe mas dentro, pelo meio do orí da gente. e talvez nem moremos nele nem o desejemos exatamente como resultado de algum fim, talvez sejamos nós o cuíer paradiso, sobreviventes deste mundo que dentro da gente já acabou ou se encontra carcomido em ruínas. talvez sejam nossas as primeiras pernas a caminhar pela superfície de outros mundos que não este. afinal, quantos mundos temos de inventar por dia pra sobreviver?

30 dejulho de 2020, são paulo fria com um restinho de sol

ilustração por Guilhermina Augusti. Augusti é futura filósofa, artista plástica e estudante de audiovisual. Sua arte/pesquisa discorre sobre disputar poder, através da genealogia, empregabilidade, moral, e formas de sistema desse mundo que produzem conflitos que são direcionadas a certos corpos, assim como as estruturas que mantem esses atritos.
cecília floresta

in welchen farben stünden unsere wände, wenn sie überhaupt widerstehen könnten?

ein essay über kuirlombismus¹, von cecília floresta (unter anderen stimmen)

Illustriert von Guilhermina Augusti

alle worte in den mund nehmen
egal wo sie herkommen
und sie überall fallen lassen
ganz gleich wen es
trifft
may ayim, künstlerische freiheit  (In: blues in schwarz weiss. Orlanda Verlag: 1995.)

sie haben versucht, uns vorzuwerfen: unsere aufgabe sei es, die welt neu zu erfinden — das ist allerdings nicht so. uns obliegt überhaupt keine aufgabe, vielleicht haben wir kein anderes schicksal als nur unsere wünsche, wir sind vielleicht keine menschen, wie andere uns vorstellen, vielleicht liegt es wohl an uns, etwas wie jenes schweigen vorzustellen, das ab und zu über uns hereinbricht, es aufzugreifen und in so etwas wie sprache und handlung umzuarbeiten, diese lektionen von lorde. damit meine ich, dass unsere stimmen innerhalb der rationalität dieser welt keiner fähigkeit entsprechen, denn sie passen nicht hinein; vielmehr verstärken sie sich in angestammten und kuirlombenden¹ arten und weisen, vielmehr verstärken sich unsere stimmen selbst; sie passen einfach nicht hinein und haben es nie getan, sowie unsere körper, die kehlen enthalten, es nicht tun und - kaum in der lage sind, durch die bestehenden straßen dieser welt zu gehen ohne im zustand der dinge, lärm zu provozieren — soweit.

eine mögliche richtung daraus bestünde also dahingehend, dass wir uns dafür entscheiden, wohl nicht diejenigen geschichten aufleben zu lassen, die durch die krummen und böswilligen blicke anderer weitergegeben werden, sondern diejenigen, die durch erzählungen, die in unseren eigenen küchen geschmort werden und die in unserem mund einfach auftauchen, wiederzubeleben; anders gesagt, genau die, die uns nie erzählt worden sind; genau die, die durch das benennen unbenannter dinge oder das schreiben ungeschriebener gedichte existieren und somit auch unsere einzigartige und komplexe emotionen enthalten dürfen (schon lorde nochmal). diese mögliche richtung ist von tatiana nascimento in ihrem essay "literarischer kuirlombismus" entworfenen worden, der eine mögliche richtung aus derjenigen welt aufzeigt, die uns bis hierher an die hand genommen hat.

"die art und weise meine ich, wie wir diese welt betrachten und sie demnach ‘verkuiren’ können, um nicht jeden namen schlucken zu müssen, die die andere uns geben (möchten)."

"uns an die von anderen zami erlernten wörter zu ‘quilomben’"² ist dementsprechend die bewegung, welche tatianas wind in deren aufgabe der übersetzung vollzieht, und wenn wir übersetzung bedenken, denken wir nicht nur an die kalte übertragung eines sprachlichen basissystems zum anderen, sondern auch an die inhaltliche frucht, an axé³ des wortes, wir denken ans mit augen von jedem cisheteronorm befreite lesen; die art und weise meine ich, wie wir diese welt betrachten und sie demnach ‘verkuiren’ können, um nicht jeden namen schlucken zu müssen, die die andere uns geben (möchten).

Illustration von Guilhermina Augusti

und dadurch führt dieser kuirlombismus zu wegen, die sich von jenem "stereotyp des konstanten widerstandes abgehen; von jenem stereotyp, welches unsere poesie im rahmen von einer [...]  für die unterstützung des rassismus [...] grundlegenden denunziation einfriert” — so wie ein  schmiermittel, das die kontrollmechanismen schmiert und die funktion hat, uns fernerhin in subalternalisierungen einzusperren, die nicht von uns, sondern von der maschine selbst geschaffen werden.

nichtsdestotrotz versuchen sie uns immer noch vorzuwerfen, unsere sei aufgabe es, die welt neu zu erfinden - das ist allerdings nicht so. davon abgesehen dürfen wir uns über dies wohl mit der affektiven möglichkeit beschäftigen, paradiese zu erschaffen, uns szenarien auszumalen, freuden in unseren gemeinsamen wünschen zu zensieren, denn

mir
könnte das kuire paradise ein einfacher ort sein:
meinen kopf in der mitte deiner zitze zu lehnen , oder
dich in der mitte meines oberschenkels zu empfangen
tatiana nascimento, cuíer paradiso [v. 2018] (07 anmerkungen zur apokalypse oder gedichte fürs ende der welt)

das kuire paradies, mir scheint es, liegt nicht weit weg, sondern im inneren, mitten in unserem orí⁴. und vielleicht leben wir weder im kuiren paradies, noch erwarten wir es gerade als folge irgendeines endes, vielleicht sind wir es, wir, die diese welt überleben, die in unseren körpern zerbrochen bzw. in trümmern liegt. vielleicht sind unsere beiden die ersten, die auf die oberfläche anderer welten anders als dieser wandeln können. wie viele welten jeden tag müssen wir nach all dem erfinden, um überhaupt überleben zu können?

30. juli 2020
in kaltem, doch etwa sonnigem são paulo

Illustration von Guilhermina Augusti.  Illustration von Guilhermina Augusti.  Augusti ist eine zukünftige Philosophin, Künstlerin und audiovisuell Studentin. In Ihrer Kunst/Forschung thematisiert sie durch Elemente wie Genealogie, Arbeitsfähigkeit, Moral die läufigen Machtverhältnisse unserer Gesellschaft und ihre jeweiligen Strukturen, welche Konflikte gegenüber bestimmten Körpern aufrechterhalten.

1. [A.d.Ü.] "Cuírlombismo" (brasilianisches PT) ist ein zusammengesetzter Neologismus aus Tatiana Nascimentos Essay "Cuírlombismo Literário" (n-1 edições, 2016). Basierend auf der Komposition von "cuír" (eine südamerikanische, politische Neuschreibung des Fremdwortes "queer"); "Quilombo” (aus den Bantu-Sprachen Kikongo und Kimbundu stammend, bedeutet das Wort Wohnsiedlung und bezeichnet eine Niederlassung geflohener Afrikane*innen und deren Nachfahren zur Zeit der portugiesischen Besetzung in Brasilien); und “Quilombismus" (siehe z.B. Abdias Nascimento). "Cuírlombismo" wird hier demnach als "Kuirlombismus" übersetzt. Abgeleitetes Verb: kuirlomben (< ‘quilomben’), verkuiren ( ‘kuiren’ < ‘kuir’) . Statt mit "c" übersetzen wir es mit "k", um der deutschen Orthographie näher zu kommen.  

2. Auszug aus Nascimentos Essay (S. 13). Fußnote des Originaltextes zum Wort “zamis”: "Cariacou-Name für Frauen, die als Freundinnen und Liebhaberinnen zusammenarbeiten, Grenadisch + Französisch, die den Ausdruck ‘les amies’ umwandeln".

3. [A.d.Ü.]: Axé, alternativ Ase oder Ashe in der englischen Graphik, ursprünglich von den Yoruba àṣẹ "ist ein westafrikanisches philosophisches Konzept von den Yoruba aus Nigeria, nach dem die Macht konzipiert wird, um Dinge geschehen zu lassen und Wandel hervorzubringen [...] Yoruba-Denken nach hängt die Existenz davon ab". (Wikipedia)

4. [A.d.Ü.]:  Ein Yoruba-Konzept. Laut Wikipedia: "Ori, was wörtlich "Kopf" bedeutet, bezieht sich auf die eigene spirituelle Intuition und Bestimmung".



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cecília floresta
afrodescende, é escritora, candomblezeira & sapatão. nasceu na capital paulista numa dessas manhãs de dezembro, fazia sol e o ano era 1988. ganha a vida editando livros, pesquisa narrativas e poéticas ancestrais iorubás e seus desdobramentos na diáspora negra contemporânea, lesbianidades e literaturas insurgentes. “poemas crus”, seu primeiro livro, foi publicado pela editora Patuá em 2016.
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