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Geni Núñez

Disarming colonial ambushes: on gender traps

The colonization is not over, it continues, updated. To deal with and elaborate this trauma it is necessary that we name it. Without naming there is no reparation.

Illustration by Ani Ganzala (@ganzalarts)

Colonial ambushes are traps that seek to capture us at all times and, in this essay, I will share some anticolonial hints to their disarticulation. This disarticulation can only happen if it is carried out collectively, historically and communally, which is why I give thanks and ask permission for all of those who made my announcement possible at this present time.

Ambush 1 and the cisheteronorm of time:

The narrative, according to which LGBT people, especially transgender subjects, are a matter of “fashion” goes back to the ontological privilege of cisgenerity. By seeing trans people as ‘modern’, cisgenerity narrates itself as traditional, as always present in history. The supposition of having come before operates in this kind of discourse as a moral guarantee: Whoever was here first is designated as ‘true’, whereas the ones coming afterwards would be the ‘false’. Implicitly what this thought underlies is the assumption that real people would deserve to live and people of lies would not. The ‘true’ would be good and beautiful, whereas the false bad and ugly. Ethics and colonial aesthetics are always together. The “gender-rightists” are lying when they say "in my time it wasn't like that". The past was not like the cisgender nostalgia propagates, the present and the future shall not be as they wish either. Vengeance against time is a movement marked by reactionary ideologies.

In this ambush, cisgender people seem to be guaranteed a place of originality for having “come before”, as the mythology of Adam and Eve announces, while gender-dissident people are pushed to a position of rank imitators. Coloniality enforces a position of self-esteem by placing itself as reference, ruler and compass for all other beings. Protagoras said: “Man is the measure of all things”. Fortunately, this dream of self-reference continues to be, day after day, frustrated. False and true are terms that only find legibility within colonial binarism, which we vehemently reject. Life challenges the beginning of any genesis, as well as the threat of any apocalypse. 

Illustration by Ani Ganzala (@ganzalarts)


Ambush 2 and the missionary propaganda of cisheterosexuality:

Like a margarine advertisement, the coloniality of gender presents itself as something very much desired by all, as the target of great greed and yearning. As though the grease being sold had ever fulfilled the nutritious promises they boast. Heterocisssexuality has never guaranteed healthy families, self-esteem, maturity, serenity and powerful bonds. Monogamy, its basis, has never rid children of parental abandonment, discarding, violence nor death.

Disarming the trap of colonial desire involves being aware of the fundamental differentiation between promise and fulfillment. From the Constitution to the Bible, there has never been any fulfillment of the supposedly assured well-being.

The dream of cisheterocoloniality is that we envy it, that we pity the tragedy of being as we are and then ask for crumbs of compassion and tolerance. So much so that our laughter and joy are absolutely offensive to “gender-believers”, after all, how unpleasant is it to observe the joy of people who, besides not asking for forgiveness, do not even believe in sin?

Ambush 3 and the human-animal hierarchy:

Who looks at a turtle and sees a woman? Who looks at a lizard and sees a man? If it seems pointless to recognize gender in these animals, why is gender in human beings considered less ridiculous?

Genderization is exclusive to (determined) humans precisely because in the human-animal hierarchy not having gender means to be an animal. The Christian civilization process involved the compulsory conversion of animals into humans, a conversion in which the mythology of gender had and continues to have a central role. There is no shame or offence in recognizing our kinship with other beings. Man is nobody's measure.

Disarticulating this ambush involves (re)remembering the fact that, although something might have a concrete effect on people's lives, such as gender, it does not necessarily mean it will become more real just because of it. Gender is a fiction and, like all coloniality, it is maintained as the ordering of relationships not because it is/has a concrete truth, but rather because it imposes its illusion through violence. Counter-colonial identities must have in mind-body that their purpose should not be to seek another unequivocal truth to replace the previous one, but to act as tools, hoe, shovel and plow for the reforestation of our imagination. 

Illustration by Ani Ganzala (@ganzalarts)


Ambush 4: from the word-confession to the word craftsmanship:

Confession is a central ambush in the coloniality of gender. As an internal coercion, it invokes through guilt a report to gender vigilantes (materialized in certain parenting and/or affective-sexual configurations). In this word prison, we often feel compelled to indicate one (and only one) of the options the scarce “identity menu” of coloniality offers us, while remaining certain that 4 or 5 possibilities will definitely account for the immense multiplicity of our lives. Inspired by the sacrament of monogamous indissociability, we often feel traitors and impostors when we eventually notice that the identity contract we have signed no longer makes sense to us. The US-american-eurocentric-white gender agenda intends to encompass all corporalities and sexualities. Its colonial self-esteem believes only to describe the world and not precisely to create a monothematic universe from its categories. This menu nourishes a human ideal and creates an order of time, space and destiny.

What if, instead of consuming colonial identities as an emotional glutamate, we started building our own names? What if, instead of endlessly adapting and mending an identity that was not made by/for us, we started to sew our own clothes and nudity? May we collectively weave, more and more, an affective craftsmanship with words - so that they become our friends; so that, instead of hammering us, they embrace us.

Geni Núñez

Desarmando emboscadas coloniais: das arapucas do gênero

A colonização não acabou, ela continua, atualizada. Para lidarmos e elaborarmos este trauma é necessário que o nomeemos. Sem nomeação não há reparação.

Ilustração por Ani Ganzala (@ganzalarts)

Emboscadas coloniais são armadilhas que buscam nos capturar a todo tempo e neste ensaio compartilharei algumas pistas anticoloniais rumo a sua desarticulação. Esta desarticulação só pode acontecer se realizada coletiva, histórica e comunitariamente, por isso agradeço e peço licença a todos os seres que tornaram possível minha anunciação neste momento.

Emboscada 1 e a cisnorma do tempo:

A narrativa de que pessoas LGBT, especialmente sujeitos trans, são seres da “moda” tem como rastro o privilégio ontológico da cisgeneridade. Haja vista que ao colocar pessoas trans como algo moderno ela se narra como tradicional, como sempre presente na história. Ter (supostamente) vindo antes funciona neste tipo de discurso como uma garantia moral: o que veio antes seria verdadeiro, já quem teria vindo depois seria falso. Sendo que gente de verdade mereceria viver e gente de mentira não teria importância. O verdadeiro seria bom e bonito, o falso seria ruim e feio. A ética e a estética colonial estão sempre juntas. Mentem os direitistas do gênero: “no meu tempo não era assim”. O passado não era como propagandeia a nostalgia cisgênera, nem o presente e nem o futuro será como almejam. A vingança contra o tempo é um movimento marcado pelas ideologias reacionárias. 

Terem supostamente “vindo antes”, como anuncia a mitologia de Adão e Eva, parece garantir nesta emboscada um lugar de originalidade que remete pessoas gênero-dissidentes a uma posição de imitadoras fajutas. A colonialidade reivindica uma posição de autoestima em que se coloca como referência, régua e bússola para todos os demais seres. Protágoras dizia: “O homem é a medida de todas as coisas”. Este sonho da autorreferência segue, felizmente, dia após dia sendo frustrado. Falso e verdadeiro são termos que só encontram legibilidade dentro do binarismo colonial, que rejeitamos. A vida desafia o começo de qualquer gênesis e a ameaça de qualquer apocalipse. 

Illustração por Ani Ganzala (@ganzalarts)


Emboscada 2 e a propaganda missionária da cisheterossexualidade:

Tal qual uma propaganda de margarina, a colonialidade do gênero se apresenta como algo que julga muito desejado por todos, alvo de grande cobiça e desejo. Não vê que a graxa que vende nunca atendeu às promessas nutritivas que alardeia. A heterocissexualidade nunca garantiu famílias saudáveis, autoestima, maturidade, serenidade e vínculos potentes. A monogamia, sua base, nunca livrou crianças do abandono parental, do descarte, da violência e da morte.

Desarmar a armadilha do desejo colonial envolve estarmos atentas na  fundamental diferenciação entre promessa e cumprimento. Da Constituição à Bíblia, nunca houve cumprimento algum do bem-viver pretensamente assegurado.

O sonho da cisheterocolonialidade é que a invejemos, que nos lastimemos com a tragédia de sermos como somos e lhe peçamos migalhas de compaixão e tolerância. Tanto por isso que nosso riso e alegria são absolutamente ofensivos aos crentes do gênero, afinal, que desagradável observar o gozo de pessoas que, além de não pedirem perdão, sequer acreditam no pecado?

Emboscada 3 e a hierarquia humano-animal:

Quem olha para uma tartaruga e vê uma mulher? Ou olha para um lagarto e vê um homem? Se parece sem sentido ver gênero nesses bichos, porque ver gênero em humano é tido como menos ridículo?

A generificação é exclusiva a (determinados) humanos justamente porque na hierarquia humano-animal não ter gênero é ser bicho. O processo civilizatório cristão envolveu a conversão compulsória de bichos para humanos, uma conversão na qual a mitologia do gênero foi e continua sendo central. Não há vergonha ou ofensa alguma em reconhecer nosso parentesco com os demais seres. O homem não é medida de ninguém.

Desarticular esta emboscada envolve (re)lembrar que não é porque algo tem efeito concreto na vida das pessoas, como o gênero, que ele se torna mais real por isso. Gênero é uma ficção e como toda a colonialidade, ele se mantém como ordenamento das relações não por ser/ter uma verdade concreta e sim por impor sua ilusão através da violência. Identidades contracoloniais precisam ter em mente-corpo que seu propósito não deve ser buscar uma outra verdade inequívoca para substituir a anterior, mas que devem atuar como ferramentas, enxada, pá e arado do resflorestamento da nossa imaginação.  

Illustração por Ani Ganzala (@ganzalarts)


Emboscada 4:  da palavra-confissão para a palavra artesania.

A confissão é uma emboscada central na colonialidade do gênero. Como uma coerção interna, ela invoca através da culpa uma relatoria aos vigilantes do gênero (materializados em determinadas parentalidades e/ou configurações afetivo-sexuais). Nesta prisão da palavra, muitas vezes nos sentimos compelides a assinalar uma (e apenas uma) das opções que o escasso cardápio identitário da colonialidade nos apresenta, certo de que realmente 4 ou 5 possibilidades darão conta da imensa multiplicidade de nossas vidas. Inspirades no sacramento da indissociabilidade monogâmica, muitas vezes nos sentimos traidoras e impostoras quando notamos que, eventualmente, aquele contrato identitário que assinamos já não nos faz mais sentido. A agenda eurobrancaestadounidense do gênero pretende dar conta de todas as corporalidades e sexualidades e por sua autoestima colonial acredita apenas descrever o mundo e não justamente criar um universo monotemático a partir de suas categorias.  Este cardápio alimenta um ideal de humano, cria uma ordenação de tempo, de espaço e destino.

E se em vez da gente consumir identidades coloniais como um glutamato emocional  passemos a construir nossos próprios nomes? Se em vez de adaptar e remender infinitamente uma identidade que não foi feita por/para nós passemos a costurar nossa própria roupa e nudez? Que a cada dia mais consigamos tecer, coletivamente, uma artesania afetiva com as palavras para que elas sejam nossas amigas, para que em vez de nos martelar, nos abracem.

Geni Núñez

Die Entwaffnung kolonialer Hinterhalte: die Fallen des Genders

Die Kolonisierung ist noch nicht zu Ende, sie dauert, in aktualisierter Form, an. Um mit diesem Trauma umzugehen und es aufzuarbeiten, müssen wir es benennen. Ohne Benennung gibt es keine Heilung.

Illustration von Ani Ganzala (@ganzalarts)

Koloniale Hinterhalte sind Fallen, die uns zu jeder Zeit gefangen nehmen wollen. In diesem Essay werde ich einige antikoloniale Hinweise zu ihrer Entschärfung erläutern. Diese Entschärfung ist nur möglich, wenn sie kollektiv, historisch und gemeinschaftlich vollzogen wird, weshalb ich mich bei Allen bedanke, die meinen Beitrag zu diesem Zeitpunkt ermöglicht haben, und sie zugleich um Berechtigung bitte.

Hinterhalt 1 und die Cisnormativität der Zeit:

Das Narrativ, nach dem LGBT-Menschen, insbesondere Trans*-Personen, eine „Modeerscheinung“ seien, geht auf das ontologische Privileg der Cisgenerität zurück. Wenn Trans*-Personen als etwas Modernes angesehen werden, wird Cisgenerität damit zum Traditionellen stilisiert, das historisch immer schon präsent war. Zuerst da gewesen zu sein (vermeintlich) dient in dieser Art des Diskurses als moralische Garantie: Was zuerst da war, wäre richtig, wohingegen das, was danach kam, falsch wäre. Heißt, dass wahre Menschen es verdienen würden, zu leben, und falsche Menschen unwichtig wären. Das Wahre wäre gut und schön, das Falsche wäre schlecht und hässlich. Ethik und koloniale Ästhetik sind immer verbunden. Der rechte Flügel der Gender-Debatte lügt, wenn er behauptet: „Zu meiner Zeit war das nicht so“. Die Vergangenheit entspricht nicht der Propagada der Cisgender-Nostalgie, weder die Gegenwart noch die Zukunft werden so sein, wie sie es sich wünschen. Rache an der Zeit ist eine Bewegung, die von reaktionären Ideologien geprägt ist.

Dass Cis-Menschen vermeintlich „vorher da waren“, wie es der Mythos von Adam und Eva verkündet, garantiert diesem Hinterhalt scheinbar einen Topos der Ursprünglichkeit, der Gender-Dissidenten eine Rolle von fälschenden Imitatoren zuschreibt. Die Kolonialität beansprucht eine Position der Selbstsicherheit, in der sie sich selbst als Referenz, Herrscher und Kompass für alle anderen Wesen einsetzt. Protagoras sagte: „Der Mensch ist das Maß aller Dinge.“ Dieser Traum der Selbstüberschätzung wird, zum Glück, Tag für Tag durchkreuzt. Falsch und wahr sind Begriffe, die ihre Lesbarkeit nur innerhalb des von uns abgelehnten kolonialen Dualismus erhalten. Das Leben trotzt dem Anfangsnarrativ jedweder Genesis ebenso wie der Bedrohung jedweder Apokalypse.

Illustration von Ani Ganzala (@ganzalarts)


Hinterhalt 2 und die missionarische Propaganda der Cisheterosexualität:

Wie eine Margarine-Werbung präsentiert sich die Kolonialität des Genders als etwas von allen heiß Begehrtes, als Objekt großer Begehrlichkeit und Sehnsucht. Niemand erkennt, dass das Fett, das sie verkauft, nie die Ernährungsversprechen hält, die sie verspricht. Heterosexualität hat noch nie gesunde Familien, Selbstwertgefühl, Reife, Gelassenheit und starke Bindungen garantiert. Die Monogamie, ihre Grundlage, hat Kinder noch nie davor geschützt, von ihren Eltern verlassen zu werden, vor Aussetzung, vor Gewalt oder Tod.

Um die Falle des kolonialen Begehrens zu entschärfen, muss man aufmerksam für die grundlegende Unterscheidung von Versprechen und Erfüllung sein. Von der Verfassung bis zur Bibel ist das Versprechen des vermeintlich guten Lebens nie erfüllt worden.

Der Traum der Cisheterokolonialität ist, dass wir sie beneiden, dass wir uns angesichts der Tragödie unseres Daseins selbst bemitleiden und sie um Brosamen des Mitgefühls und der Toleranz bitten. Das geht bis an den Punkt, an dem unser Lachen und unsere Freude für die Gender-Gläubigen zur absoluten Beleidigung werden – denn wie unangenehm ist es letztlich, die Freude von Menschen zu beobachten, die weder um Vergebung bitten noch an die Sünde glauben?

Hinterhalt 3 und die Hierarchie von Mensch und Tier:

Wer schaut eine Schildkröte an und sieht eine Frau? Oder auf eine Eidechse und sieht einen Mann? Wenn es sinnlos erscheint, bei diesen Tieren ein Geschlecht zu identifizieren, wieso wird es dann als weniger lächerlich angesehen, das Geschlecht beim Menschen zu sehen?

Die Genifizierung ist (bestimmten) Menschen inhärent, eben weil – in der Hierarchie von Mensch und Tier – Geschlechtslosigkeit bedeutet, ein Tier zu sein. Der christliche Zivilisationsprozess beinhaltete die Zwangsumwandlung von Tieren in Menschen, eine Umwandlung, bei der Mythos des Genders zentral war bzw. ist. Es ist keine Schande oder Beleidigung, unsere Verwandtschaft mit den anderen Lebewesen anzuerkennen. Der Mensch ist niemandes Maß.

Diese Falle zu entschärfen schließt ein, sich daran (wieder) zu erinnern, dass etwas, nur weil es konkrete Auswirkungen auf das Leben von Menschen hat, etwa Gender, deswegen nicht realer wird. Gender ist eine Fiktion, und wie jede Form der Kolonialität erhält es sich als Ordnung sozialer Verhältnisse eben nicht, weil es eine konkrete Wahrheit beinhaltet bzw. ausdrückt, sondern allein weil es ihre Illusion mit Gewalt durchsetzt. Antikoloniale Identitäten müssen mit Körper und Geist sicher sein, dass ihr Ziel nicht darin besteht, eine andere unfehlbare Wahrheit zu suchen, um die vorangegangene zu ersetzen, sondern darin, als Werkzeug, Hacke, Schaufel und Pflug der Wiederaufforstung unserer Vorstellungskraft zu dienen.

Illustration von Ani Ganzala (@ganzalarts)


Hinterhalt 4: vom Wort-Bekenntnis zum Wort-Handwerk.

Die Beichte ist einer der zentralen Hinterhalte der Kolonialität des Genders. Als ein innerer Zwang ruft sie durch Schuldgefühle eine Meldung an die Gender-Wächter hervor, welche sich in spezifischen erzieherischen und/oder affektiv-sexuellen Konfigurationen materialisiert. In diesem Gefängnis der Begriffe fühlen wir uns oft gezwungen, eine (und nur eine) der Optionen anzukreuzen, die uns das knappe Identitätsmenü der Kolonialität anbietet, während wir sicher sind, dass uns tatsächlich 4 oder 5 Möglichkeiten für die immense Vielfalt unseres Lebens zur Verfügung stehen. Beeinflusst vom Sakrament monogamer Untrennbarkeit fühlen wir uns oft als Verräter*innen und Hochstapler*innen, wenn wir merken, dass der von uns unterschriebene Identitätsvertrag für uns letztlich keinen Sinn mehr macht. Die eurozentrisch-weiß-US-amerikanische Agenda des Genders will über alle Körperlichkeiten und Sexualitäten Rechenschaft ablegen; aufgrund ihrer kolonialen Selbstüberschätzung meint sie, dabei einfach die Welt zu beschreiben, während sie gleichwohl ein monothematisches Universum aus jenen Kategorien erschafft. Diese Kategorialisierung nährt ein menschliches Ideal, schafft eine Ordnung von Zeit, Raum und Schicksal.

Was wäre, wenn wir, anstatt koloniale Identitäten als emotionales Glutamat zu konsumieren, damit anfangen würden, unsere eigenen Namen zu erbauen? Wenn wir, anstatt pausenlos eine nicht von oder für uns gemachte Identität anzupassen und zu flicken, damit anfangen würden, unsere eigene Kleidung und Nacktheit zu nähen? Mögen wir dem Ziel gemeinsam Tag für Tag näherkommen, eine affektive Handwerkskunst der Begriffe dergestalt zu weben, dass sie unsere Freunde werden – so dass sie uns, statt zu erschlagen, umarmen können.

Geni Núñez

Geni Núñez
Guarani, anti-colonial activist.
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Geni Núñez
Guarani, ativista anticolonial.
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Geni Núñez
Guarani, antikoloniale Aktivistin.
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