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Sanni Est

"Just Making Sure You’ve Got All Intel" - PHOTOPHOBIA Chapter 3

In a time when it is important to raise flags, how can one do this without contributing to the very dangerous polarization we have witnessed in recent years between the so-called left and right? Between murderers and survivors? Between colonizers and colonized, etc.?

foto credit: Sanni Est

How can one not succumb to this hyper-simplification of world political dynamics and still position oneself vehemently in a time of multiple apocalypses?

I decide to start by myself: 

In this moment, I realize that my biography as well as my body, with all its social readings and positionings: a) are challenging enough to navigate through this world, and so my primary, everyday preoccupation becomes how I deal with emotions, b) are complex and oppressed enough so that my search for healing could ever be 'universalized', as it entails a set of experiences to be perceived through an incredibly intersectional prism.

I am aware the status quo is to kill me.

And if they don't kill me, they silence me.
And if they can't silence me, they punish me.
When there is no more means to punish me, they exclude me.
When I require my inclusion, they boycott me.
When I succeed despite the boycott, they vilify me and my entire career.

I have to explain myself!
I have to say that even though I have a pussy, I don't get pregnant.
That I reject hetero-terrorism despite my "normativity".
That my emotional reactions to rejection are not comparable to those of a healthy person who had a cradle, a father, a mother, a whole structure, even love, or was made too flawless by cisgenerity!
Because they are constantly demanding me, constantly pointing at me, and what is even worse:
They weird me out.

And for me it is not worthwhile to claim such strangeness! Because a part of me is also formality; because the social codes have enabled me to reach fields which have never been inhabited by my kind.
because I am all the time in an UNINVITED TERRITORY!

And I weird myself out!

And stop expecting me not to shock you, because I am constantly disappointing the expectations of those who see me superficially.
I need you to understand me more deeply. 

And yes, I want you to put yourselves in my shoes! Everyone, at least once in their life.

I am not satisfied with frightening statistics and hypersexualized icons! 
I am sex positive and also shy!
I come from a favela and I am also a polyglot!
I am trans and also monogamous,
etc.

image credits: Gabriel Massan

I tried to encyclopedize, to translate, to instruct, to limit my contacts according to people’s political identities, but no formula proved success.

Something in me - my extreme need for structure - was always shaken by the lack of consistency in the strategies I had desperately developed, which were in fact a pure attempt to live without constantly inhabiting sores - an attempt to cross cisgender and European spaces without my open wounds being pricked on a daily basis.

The mission to educate every single person around me -- since no one will ever have the exact intersection of oppression experiences I carry as a trans, northeast Brazilian, favelada, migrant in Europe, cis 'passing' artist, polyglot, and now institutionalized curator -- is itself not only utopian, but outrageous!

Summed up in one label, each of these aspects brings a complexity of situations which I would have to spend my whole life trying to translate, only to not succeed in the end.

So what is the answer? I don't know.

The first step is to understand that no behavior, code or protocol can protect me from evil. No minority identity, not even my own, guarantees me protection, nurturing or understanding.


INTROSPECTION THROUGH CONNECTION


I therefore do what I learned so well as a child and forgot as an adult: to emerge into myself.

It’s no easy task to voluntarily plunge into a well of horror!

Perfectionist and obsessed with justice, I found myself not as the victim -- rather, as the villain. This time not just because of transphobia, xenophobia or the alike, but because I found myself unable to act on my own values when triggered. And for a long time I allowed myself to be vile, because at the end of the day, no one stayed long enough to keep up with my improvement, so why work on myself anyway?

"I am the rejected one!
I am the victim!
I am entitled!"
But sometimes not.

image credit: Sanni Est

It is possible, yes, to understand the structures that smash you, that suffocate you, and also to practice self-criticism.

And I want to live around people who recognize this! Who allow themselves and ME a truly human complexity!

That, beyond tolerance and acceptance for me being a freak, I only wish to relate intimately with those who grant me permission to go against their expectations!

I have nothing to do with your prejudice about Brazil-northeastern women! Nor trans! Nor Brazilians! Nor women!
And this is extremely political.

Since to confer this complexity on someone like me is not the initial configuration of this society we live in, I am therefore being generous enough here to lovingly explain you how to evolve as a human being:

humanize me.

“Just Making Sure You’ve Got All Intel” is part of a puzzle of publications under the concept of ‘PHOTOPHOBIA’ by Sanni Est.
‘PHOTOPHOBIA’ is conceived as a manifesto-album of music, performance art and discourse.

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WATCH VIDEO TO TEXT ON:  https://vimeo.com/513627716

Sanni Est

"A Quem Interessar Possa" - PHOTOPHOBIA Capítulo 3

Numa era em que é imprescindível levantar bandeiras, como não contribuir para a perigosíssima polarização que temos observado nos últimos anos entre as ditas esquerda e direita? Entre os assassinos e os sobreviventes? Entre colonizadores e colonizados, etc.?

foto: Sanni Est

Como não sucumbir a esta hiper-simplificação da dinâmica política mundial e, ainda assim, se posicionar veementemente em um tempo de apocalipses múltiplos?

Decido começar por mim: 

Dado momento, percebi que a minha biografia e o meu corpo, com todas suas leituras e posicionamentos sociais, são a) desafiadores o suficiente de navegar, o que torna o meu manuseio com emoções a minha principal ocupação diária b) complexos e oprimidos o suficiente para que a busca pela minha cura possa ser universalizada, pois traz uma vivência vista por um prisma incrivelmente interseccional.

Percebo que o status quo é me matar.

E quando não me matam, sou calada.
e quando não conseguem me calar, sou punida.
quando não mais têm ferramentas para me punir, me excluem.
quando eu reivindico minha inclusão, me boicotam.
quando, apesar do boicote, se tenho sucesso, me vilanizam, e vilanizam toda a minha trajetória.

Eu preciso me explicar!
eu preciso dizer que, apesar de ter buceta, eu não engravido.
apesar de “normativa”, eu rejeito o heteroterrorismo.
que minhas reações emocionais à rejeição não são comparáveis a de uma pessoa saudável que teve berço, pai, mãe, estrutura, amor ou maculada pela cisgeneridade!
porque me cobram, me apontam, pior de tudo:
me es-tra-nham.

E, pra mim, não adianta clamar uma estranheza por si só! Porque parte de mim também é formalidade; porque códigos sociais me permitiram alcançar campos jamais habitados pela minha linhagem hereditária.
porque eu estou o tempo todo em TERRITÓRIO INABITADO!

E eu mesma me estranho!

E eu preciso que não me cobrem que eu não os choque, porque eu estou constantemente decepcionando as expectativas de quem me vê superficialmente.
Porque eu preciso que se aprofundem em mim. 
Eu quero que se coloquem no meu lugar, sim! Todo mundo, pelo menos uma vez na vida.
Eu não me contento com estatísticas aterrorizantes e ícones hipersexualizados! 
Eu sou sex positive e também tímida!
Eu sou favelada e também poliglota!
Eu sou trans e também monogâmica,
etc.

imagem: Gabriel Massan

Eu tentei enciclopediar, traduzir, dar instruções, restringir meus contatos baseada nas identidades políticas das pessoas, e nenhuma fórmula estava correta.

Algo dentro de mim, minha extrema necessidade de estrutura, se via repetidamente abalada pela falta de consistência nas estratégias que eu, desesperada, desenvolvia como tentativa de viver sem estar constantemente em chagas - na tentativa de transitar espaços cisgêneros e europeus sem que minhas feridas, ainda em carne-viva, fossem cutucadas diariamente.

A missão de educar toda e qualquer pessoa ao meu redor, pois ninguém nunca terá a exata interseção de vivências de opressão que eu trago enquanto trans, nordestina, favelada, imigrante na europa, artista com passabilidade cis, poliglota e agora curadora institucionalizada, não é não só utópica, mas também medonha!
E cada um destes aspectos resumidos em um rótulo traz uma complexidade de situações que eu precisaria dedicar a minha vida inteira tentando traduzir, e nunca conseguiria.

Então qual a resposta? Não tenho!

O primeiro passo é entender que nenhuma conduta, código ou protocolo irá me proteger do mal. Nenhuma identidade de minoria, nem mesmo as minhas, irão com garantia me proteger, nutrir ou compreender. 

INTROSPECÇÃO PELA CONEXÃO

Então faço o que eu aprendi muito bem quando criança e me esqueci durante a vida adulta: entrar em mim mesma.

E não é nada fácil mergulhar voluntariamente num poço de horrores!

Mas, perfeccionista e obcecada com justiça, me vi, apesar de vítima, vilã. Dessa vez, não só vilanizada pela transfobia, xenofobia ou algo do tipo, e sim porque me vi incapaz de agir de acordo com os meus próprios valores quando engatilhada. E por muito tempo, me permiti ser vil, porque, no fim do dia, ninguém ficava tempo o suficiente pra acompanhar minha melhora, então pra que trabalhar em mim mesma?

"EU sou a rejeitada!
EU sou a vítima!
EU tenho direito!” 
Só que às vezes não.

imagem: Sanni Est

É possível, sim, entender as estruturas que te esmagam, que te sufocam, e também praticar a auto-crítica.

E eu quero viver ao redor de pessoas que reconheçam isso! Que se permitem e ME permitem uma complexidade verdadeiramente humana!

Que, para além da tolerância e da aceitação por eu ser uma freak, eu desejo apenas me relacionar intimamente com quem me confere a permissão de contrariar suas expectativas!

Eu não tenho nada a ver com o seu preconceito sobre nordestinas! Nem trans! Nem brasileiras! Nem mulheres! Nem artistas!
E isso é extremamente político.

Conferir esta complexidade a alguém como eu não é a configuração inicial dessa sociedade em que vivemos e, portanto, eu estou sendo generosa o suficiente de explicar com carinho como evoluir enquanto ser humano: 

me humanize.

“A Quem Interessar Possa” é a terceira peça de um quebra-cabeça de publicações sob o conceito de ‘PHOTOPHOBIA’, por Sanni Est.
‘PHOTOPHOBIA’ foi concebido como um álbum-manifesto que comporta música, performance e discurso.

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VIDEO-TEXTO EM: https://vimeo.com/513627716

Sanni Est

"Nur um sicherzugehen, dass du’s richtig verstanden hast" - PHOTOPHOBIA Kapitel 3

Wie kann man in einer Zeit, in der das wichtig ist, Flagge zeigen, ohne zu der sehr gefährlichen Polarisierung beizutragen, die wir in den letzten Jahren zwischen den sogenannten Linken und Rechten beobachten konnten? Zwischen Mördern und Überlebenden? Zwischen Kolonisatoren und Kolonisierten, usw.?

foto: Sanni Est

Wie kann man dieser Hyper-Vereinfachung der weltpolitischen Dynamik nicht erliegen und sich in einer Zeit der multiplern Apokalypsen dennoch vehement positionieren?

Ich beschließe, bei mir selbst zu beginnen: 

In diesem Moment erkenne ich, dass meine Biografie als auch mein Körper, mit all seinen sozialen Lesarten und Positionierungen: a) herausfordernd genug zu steuern sind,, was den Umgang mit Emotionen zu meiner primären, alltäglichen Beschäftigung macht, b) komplex und unterdrückt genug sind, um meine Suche nach Heilung universalisieren zu können, da sie es erlaubt, eine Vielzahl von Erfahrungen durch ein unglaublich intersektionales Prisma wahrzunehmen.

Es ist mir bewusst, dass der Status quo mich umbringen will.
Und wenn sie mich nicht umbringen, werde ich zum Schweigen gebracht.
Und wenn sie mich nicht zum Schweigen bringen können, werde ich bestraft.
Wenn es keine Mittel mehr gibt, mich zu bestrafen, schließen sie mich aus.
Wenn ich meine Inklusion fordere, boykottieren sie mich.
Wenn ich trotz des Boykotts Erfolg habe, verleumden sie mich, und sie verleumden meinen ganzen Weg.

Ich muss mich erklären!
Ich muss sagen, dass ich, obwohl ich eine Muschi habe, nicht schwanger werde.
Dass ich den Hetero-Terrorismus trotz meiner "Normativität" ablehne.
Dass meine emotionalen Reaktionen auf Ablehnung nicht vergleichbar sind mit denjenigen eines gesunden Menschen, der Wiege, Vater, Mutter, Struktur, Liebe hatte oder von Cisgenerität befleckt ist!
Weil sie mich ständig belästigen, ständig auf mich zeigen, und, am schlimmsten:
Sie be-fremd-en mich.

Für mich hat es keinen Sinn, eine Fremdheit an sich selbst zu behaupten! Denn ein Teil von mir ist auch Formalität; denn soziale Codes haben es mir ermöglicht, Felder zu erreichen, die von meiner Erblinie nie bewohnt wurden.
Denn ich bin die ganze Zeit in einem UNBEWOHNTEN TERRITORIUM!

Und ich befremde mich selbst!

Was ich brauche, ist nicht verdeckt zu werden, dass ich euch nicht schockiere, weil ich ständig die Erwartungen derer enttäusche, die mich oberflächlich betrachten.
Ihr müsst mich tiefer verstehen. 

Und ja, ich möchte, dass ihr euch in meine Lage versetzt! Jede*r, mindestens einmal in sein/ihrem Leben.

Ich gebe mich nicht mit erschreckenden Statistiken und hypersexualisierten Ikonen zufrieden! 
Ich bin sexpositiv und auch schüchtern!
Ich komme aus einer Favela und bin auch polyglott!
Ich bin trans und auch monogam,
usw.

image: Gabriel Massan

Ich habe versucht, zu enzyklopädieren, zu übersetzen, zu belehren, meine Kontakte nach der politischen Identität der Menschen einzuschränken, und keine Formel war richtig.

Etwas in mir, mein extremes Bedürfnis nach Struktur, war immer wieder erschüttert von der fehlenden Konsequenz der Strategien, die ich verzweifelt entwickelt hatte, als reinen Versuch, ohne ständige Schmerzen leben zu können – ein Versuch, sich durch Cisgender- und europäische Räume zu bewegen, ohne dass meine noch immer offenen Wunden täglich durchstoßen würden.

Die Mission, jede einzelne Person um mich herum zu erziehen – weil niemand jemals die exakte Intersektion von Unterdrückungserfahrungen haben wird, die ich als trans, nordostbrasilianische, favelada, Migrantin in Europa, cis-‘passierbare’ Künstlerin, Polyglotte und nun institutionalisierte Kuratorin mitbringe – ist nicht nur utopisch, sondern auch schrecklich!

Jeder dieser in einem Etikett zusammengefassten Aspekte bringt eine Komplexität von Situationen mit sich: Ich müsste mein ganzes Leben lang versuchen, zu übersetzen und würde es niemals schaffen.

Wie also lautet die Antwort? Keine Ahnung!

Der erste Schritt besteht darin zu verstehen, dass kein Verhalten, Code oder Protokoll mich vor dem Bösen schützen kann. Keine Minderheitsidentität, nicht einmal meine eigene, garantiert mir Schutz, Unterhalt oder Verständnis. 


INTROSPEKTION DURCH VERBINDUNG


Ich tue also das, was ich als Kind so gut gelernt und als Erwachsener vergessen habe: in mich abzutauchen.

Und es ist gar nicht so einfach, sich freiwillig in einen Brunnen des Grauens zu stürzen!

Aber als Perfektionistin und besessen von Gerechtigkeit sah ich mich selbst als Schurkin, obwohl ich Opfer bin. Diesmal nicht nur wegen Transphobie, Xenophobie oder ähnlichem, sondern weil ich mich, wenn ich getriggert wurde, nicht in der Lage sah in Übereinstimmung mit meinen eigenen Werten zu handeln. Lange habe ich mir erlaubt, gemein zu sein, denn am Ende des Tages blieb niemand lange genug, um mit meiner Verbesserung Schritt zu halten, wozu also an mir selbst arbeiten?

"ICH bin die Abgelehnte!
ICH bin das Opfer!
ICH habe Rechte!" 
Nur manchmal eben nicht.

image: Sanni Est

Ja, es ist möglich, die Strukturen zu verstehen, die einen erdrücken, die einen ersticken, und gleichzeitig auch Selbstkritik zu üben.

Und ich möchte unter Menschen leben, die das erkennen! Die sich und MIR eine wahrhaft menschliche Komplexität erlauben!

Dass ich nur mit denjenigen eine engere Beziehung eingehen möchte, die mir außer der  Toleranz und Akzeptanz für mein Freaksein auch die Erlaubnis geben, gegen ihre Erwartungen zu verstoßen!

Ich habe mit euren Vorurteilen gegenüber Nordostlerinnen nichts zu tun! Oder trans! Oder Brasilianerinnen! Oder Frauen! Oder Künstlerinnen! 

Und das ist extrem politisch.

Jemandem wie mir solche Komplexität zuzusprechenn, entspricht nicht der ursprünglichen Konfiguration dieser Gesellschaft, in der wir leben, und deshalb bin ich großzügig genug, liebevoll zu erklären, wie man sich als menschliches Wesen weiterentwickelt: 

vermenschliche mich.


"Nur um sicherzugehen, dass du’s richtig verstanden hast" ist das dritte Puzzlestück einer Reihe von Publikationen unter dem Konzept 'PHOTOPHOBIA' von Sanni Est.
'PHOTOPHOBIA' wurde als Album-Manifest konzipiert, das Musik, Performance und Diskurs umfasst.

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VIDEO ZUM TEXT AUF: https://vimeo.com/513627716


Übersetzung
: jô osbórnia
Lektorat: Diego León-Villagrá

Sanni Est

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Sanni Est is a Brazilian multimedia artist living in Berlin since 2007.
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Sanni Est
Sanni Est ist eine brasilianische Multimedia-Künstlerin, die seit 2007 in Berlin lebt.
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