ENDEPT
Tatiana Nascimento dos Santos

cuíer paradiso

to me,
a cuíer paradise could be a very simple place:
laying my head betwixt your tits, or wel
cum you between of my thighs

and, after, to the bakery we go, have some juice
(orange, banana, açaí),
while I finger your hair (I knew you by the “pre
cise cut”)

with no need for armour,
no anticipating answers,
nor learning learn how
to punch neither
mapping the place before entering

to see who is there
imagining
the threats they would make
how many they are, if they saw
us, if they would follow us
(“eles tão ARMADOS!!?”)

to me, a cuíer paradise could be less bureaucratic
than
marriage equality regulated by the state
(cause it’s the same state that pays
the police to kills us,
remember?)

it could be less desperate than all the passion in
one day only
(easy,
tomorrow I
can come here, ‘n
after tomorrow we’ll see, but when you come
I’ll like to see you)

it could be less agonising than twenty meetings in
the same week
(with a command / a matter of command
against all command but
organising all so similarly ...)

it could be less surveilled than e-v-e-r-y-b-o-d-y
asking if it is (non-)exclusive, reafirming
the heterociscentric binaries by asking
“who’s on top in missionary?”, needling
“c’mon, u didn’t know
she’s had a boyfriend?”

it could be less of all that makes us listless,
hopeless, trustless
to me, a cuíer paradise could be
restfuller, airier

it could be you + me on a sunny day
(even if in a minute we parted ways;
I’d like that. ah, and the sinful part,
that part
I’d like that too)

I’m so tired of having to correct the whole world
in my head 'n it keeps wrong... of trying to resist,
to respond (not forgetting to dance, to
smile) and of seeing that I’ll die
& nothing will be changed,
trully changed

to me, a cuíer paradise would be lying a bit
next to you , watching your face dancing
the smoke, the screen
breathing your window: wide open

lung — exposed, delicate,

(& for no other reason), strong.
feel your heart talking to my
eardrum as day over-
cum nite

'n the streets empty the silence in waking
morning noises: birds celebrating, a
neighbour so soon singing, public
transport always lateing (it’s
brasília)... to me, a cuíer
paradiso would be
a tad of anything
that brings me
the calm of your the courage of your
courage. calm.

Tatiana Nascimento dos Santos

cuíer paradiso

pra mim,
o paraíso cuíer podia ser um lugar muito simples:
encostar a cabeça no meio das suas teta, ou
te receber no meio das minhas coxa

& depois ir ali na padaria contigo, tomar um suco
(laranja com banana y açaí),
passar a mão no seu cabelo
(te reconheci pelo
seu corte, “pre
ciso")

sem ter que usar armadura,
sem ter que antecipar resposta,
sem ter que aprender como dá murro e nem
mapear o espaço antes de entrar

pra ver quem tá lá
imaginar
que ameaças eles fariam
quantos são se eles viram
a gente, se nos seguiriam
(“do they have GUNS!!?”)

pra mim o paraíso cuíer podia ser menos burocrático que
casamento igualitário regulado pelo estado
(porque é o mesmo estado que paga
a polícia pra matar a gente,
lembra?)

podia ser menos desesperado que a paixão inteira num dia só
(calma,
amanhã eu
posso vir aqui, y
depois de amanhã a gente vê, mas quando você vier
eu vou gostar de te ver)

podiasermenosagoniadoque20reuniõesnamesmasemana
(com palavra de ordem / questão de ordem
contra todas as ordens mas
organizando tão igual...)

podia ser menos vigiado que todomundo perguntando
se é aberto ou fechado,nreafirmando no
“quem come quem” os binarismo
heterociscentrado, alfinetando
com “ah, mas c num sabia
que ela tinha namorado?!?”

podia ser menos tudo que dá esse cansaço
essa desesperança, essa desconfiança
pra mim um paraíso cuíer podia ser
mais tranquilo, mais respirado
podia ser eu y você num dia ensolarado

(mesmo que daqui a pouco fosse cada uma pra um lado;
eu ia gostar. ah, e a parte do pecado, dessa parte
eu ia gostar também)

eu tô tão cansada de ter que corrigir o mundo inteiro
na minha cabeça y ele continuar errado... de
tentar resistir, responder (sem esquecer
de dançar, de sorrir) e ver que eu vou
morrer sem nada tá mudado,
mudado mesmo

pra mim o paraíso cuíer ia ser deitar um pouco
do seu lado, ver seu rosto dançando
na fumaç a cortina res
pirando sua janela, pulmão

a céu aberto: exposto, delicado,

(y por isso mesmo que), forte.

sentir seu coração conversar com a pele do meu ouvido
[enquanto a noite vira dia

y a rua esvazia o silêncio com aqueles barulho de
manhã levantando, pássaros celebrando, vizinho

cantando cedo, transporte público começando tarde
(afinal, é o distrito federal...); para mim, um paraíso
cuíer é um pouco de qq coisa que me traga
a calma da sua coragem da sua
         calma

Tatiana Nascimento dos Santos

Tatiana Nascimento dos Santos

Tatiana Nascimento dos Santos
"palavreira": singer, songwriter, writer, publisher at padê editorial. co-founder of 'slam das minas in DF', the first exclusive slam for women/lesbians in Brazil; co-founder of "palavra preta" (black word) - a national exhibition of black women writers; creator of "quanta!" (how much!), LBT exhibition, of "afrokuír" - black LGBTQI+ fuss, of "semilla" - a book fair to women publishers. aquarian.
Read more...
Tatiana Nascimento dos Santos
Translation by
Traducció de
Von
Natália Affonso
.
.
übersetzt.
Tatiana Nascimento dos Santos
Leia mais...
Tatiana Nascimento dos Santos
Translation by
Von
Natália Affonso
.
übersetzt.
Tatiana Nascimento dos Santos
Mehr lesen...
Tatiana Nascimento dos Santos
Translation by
Von
Natália Affonso
.
übersetzt.
back to poemsZurück zu Gedichteretornar aos poemas