ENDEPT
Lorran Dias

III - BEAST

31.

a lion at the bedside
a horse in the living room

34.

ferocity is part of our humanity
what flees from reason, like the devil
flees from cross

what manifests itself insatiable, indomitable
what is not allowed to hide
in any hole
nor in a closet,
bathroom,
landfills

what roars like instinct when 
I find myself trapped by the sad-eyed tiger
I find myself hypnotized by a hungry feline 
looking at me again and again

35.

me and my interest
in those sad-eyed boys

41.

Beasts are the passions. Our ungovernable parts.
Love is a horse,
Friendship a lion,
Hope an ox,
Courage a dog,
(a mongrel one)
Fear an armadillo,
Pride a monkey,
Humility a butterfly,

Hate is a scorpion,
Disdain an iguana,
Despair an ostrich,
Longing a whale.
But they could also be colors
Or any other animals.

48.

When words cease, will passions cease too?
or will the rest of silence be discovered

54.

Remembering is reinventing memory.

57.

From the passions of humans
From their beasts
Their gods
Their fictions
And their wars
History was born.
Their powers systematized a world so that others could not be imagined.

From the shadows of its birth 
a virus has been created in their West
separating body and mind
infecting all the rest 
creating colonies of living and nonliving organisms
dominating and infecting themselves in cycles
compromising world’s resources and body 
humans’
their beasts’
their gods’
denying moments later the spirit 
destroying everything, for nature couldn’t be found

as thinking expands
so does fiction
at wartimes, 
as it dilutes 
with violence
and truth
in the heart of the world

when history was born 
so was tragic death
for, before, we didn't die
we merely wandered

_______________________________________________________________________________________

(this is part III of III from Lorran Dias' poem RAW FLESH WORDS FOR DANDELIONS)

31.

a lion at the bedside
a horse in the living room

34.

ferocity is part of our humanity
what flees from reason, like the devil

Lorran Dias

III - FERA

31.

um leão na beira da cama
um cavalo na sala de estar

34.

a ferocidade é parte da nossa humanidade
é aquilo que foge à razão, como o diabo
foge da cruz

aquilo que se manifesta insaciável, indomável
aquilo que não se permite esconder
em qualquer buraco
nem em armário,
banheiro,
aterros

aquilo que ruge como instinto quando 
me vejo encurralado pelo tigre de olhos tristes
me vejo hipnotizado por um faminto felino 
me olhando mais uma vez

35.

eu e meu interesse
nesses rapazes de olhos tristes

41.

As feras são as paixões. Nossas partes ingovernáveis.
O amor um cavalo,
A amizade um leão,
A esperança um boi,
A coragem um cachorro,
(Desses bem vira-lata)
O medo um tatu,
O orgulho um macaco,
A humildade uma borboleta,

O ódio um escorpião,
O desprezo uma iguana,
O desespero um avestruz,
A saudade uma baleia.
Mas elas também poderiam ser cores
Ou outros animais quaisquer.

48.

Quando cessarem as palavras, também há de cessar as paixões?
ou há de se descobrir o repouso do silêncio

54.

Lembrar é reinventar a memória.

57.

As paixões dos humanos
De suas feras
Seus deuses
Suas ficções
E suas guerras
Pariram a História.
Seus poderes sistematizaram um mundo para que não se imaginassem outros.

Das sombras de seu nascimento 
um vírus se criou no seu ocidente
separou corpo e mente
infectou o restante 
criou colônias de organismos vivos e não-vivos
dominando-se e infectando-se em ciclos
comprometendo os recursos e o corpo do mundo 
dos humanos
de suas feras
dos seus deuses
momentos depois negou o espírito 
destruiu tudo por não se achar natureza

conforme o pensamento se expande
também se expande a ficção
em guerra 
e se dilui
em violência
e verdade
no coração do mundo

quando se pariu a história 
se pariu também a morte trágica
porque antes não morríamos
passeávamos

________________________________________________________________________________________________________

(essa é a parte III/III do poema PALAVRAS EM CARNE VIVA PARA DENTES-DE-LEÃO de Lorran Dias)

31.

um leão na beira da cama
um cavalo na sala de estar

34.

a ferocidade é parte da nossa humanidade
é aquilo que foge à razão, como o diabo
foge da cruz

Lorran Dias

III - BIEST

31.

auf der Seite des Bettes ein Löwe
im Wohnzimmer ein Pferd

34.

Wildheit ist Teil unserer Menschlichkeit
ist das, was vor der Vernunft flieht, so wie der Teufel
vor dem Kreuz 

das, was sich unersättlich, unbezähmbar manifestiert
das, was sich nicht verbergen lässt
in jedem Loch
oder in Schranken,
Badezimmern,
Mülldeponien

das, was wie ein Instinkt brüllt, als
mich der Tiger traurig blickender Augen in die Enge treibt
mich ein hungriger Kater hypnotisiert 
mich wieder und wieder beobachtet 

35.

ich und mein Interesse
an diesen traurig blickenden Jungs

41.

Die Tiere sind die Leidenschaften. Unsere unregierbaren Teile.
Die Liebe, ein Pferd
Die Freundschaft, ein Löwe
Die Hoffnung, ein Ochse,
Der Mut, ein Hundes,
(so ein Mischling)
Die Angst, ein Gürteltier
Der Stolz, ein Affen
Die Bescheidenheit, ein Schmetterling

Der Hass, ein Skorpion,
Die Verachtung, ein Leguan,
Die Verzweiflung, ein Strauß,
Die Sehnsucht, ein Wal.
Sie könnten aber auch Farben sein
Oder irgendwelche anderen Tiere.

48.

Wenn die Wörter aufhören, hören dann auch die Leidenschaften auf?
oder wird der Rest der Stille entdeckt

54.

Erinnern heißt, die Erinnerung neu zu erfinden.

57.

Die Leidenschaften der Menschen
Für ihre Bestien
Ihre Götter
Ihre Fiktionen
Und ihre Kriege
gebaren die Geschichte.
Ihre Kräfte systematisierten eine Welt, damit man sich andere nicht vorstellen könnte.

Aus den Schatten ihrer Geburt 
entstand ein Virus im Westen
Körper und Geist wurden getrennt
der Rest infiziert 
Kolonien von lebenden und nicht lebenden Organismen geschaffen
in Zyklen der Domination und Infektion
Ressourcen und der Körper der Welt, 
der Menschen,
ihrer Tiere,
und ihrer Götter gefährdet 
Augenblicke später verleugnet der Virus den Geist  
Und weil sich die Natur nicht finden liesse, wurde alles 
zerrüttet

wenn sich das Denken erweitert
erweitert sich durch den Krieg 
auch die Fiktion
und im Herzen der Welt,
mit Gewalt
und der Wahrheit,
verdünnt es.

als die Geschichte geboren ist 
so ist auch der tragische Tod
denn vorher starben wir nicht
wir spazierten einfach

________________________________________________________________________________________________________

(das ist Teil III von III des Gedichtes WÖRTER OFFENER WUNDEN AN LÖWENZÄHNE von Lorran Dias)

31.

auf der Seite des Bettes ein Löwe
im Wohnzimmer ein Pferd

34.

Wildheit ist Teil unserer Menschlichkeit
ist das, was vor der Vernunft flieht, so wie der Teufel
vor dem Kreuz 

Lorran Dias

Lorran Dias
Lorran Dias is a filmmaker, curator and visual artist, resident in Favela da Maré, Rio de Janeiro.
Read more...
Lorran Dias
Translation by
Traducció de
Von
.
.
übersetzt.
Lorran Dias
Lorran Dias é cineasta, curador e artista visual, residente na Favela da Maré, Rio de Janeiro.
Leia mais...
Lorran Dias
Translation by
Von
.
übersetzt.
Lorran Dias
Lorran Dias ist Filmemacher, Kurator und bildender Künstler, wohnhaft in Favela da Maré, Rio de Janeiro.
Mehr lesen...
Lorran Dias
Translation by
Von
.
übersetzt.
back to poemsZurück zu Gedichteretornar aos poemas